White walkers

Sempre possui uma relação tensa com o escuro, essa entidade. Ele tem vida própria. Tem os seus humores. Além disso, nele povoam vários seres. Do mal. Todos. Antigamente era essa a minha certeza.

A minha relação com ele foi o maior dos meus problemas na infância. Psicólogos ganharam dinheiro em cima de mim. Apenas devido ao escuro. No restante, eu era super bem-resolvido. Tirando a hora do almoço. Nessa hora, o bicho pegava também. Mas de outra forma.

No escuro eu sempre via fantasmas, ETs, uma velha bruxa que uma vez me afugentou do seu apartamento que estávamos atazanando durante uma festa infantil, etc.

Tinha medo do Homem-Elefante. Tinha tanto medo dele que nem passava direito pelo corredor em que se localizava a fita VHS na locadora do meu avô. Mas o pior de todos, era o medo que eu tinha do protagonista de um filme chamado Marcas do Destino. Também deformado como o Homem-Elefante, apenas a simples menção ao filme me dava suadeira. Devido a isso, toda vez que uma propaganda da sessão da tarde passava, um descarrego de adrenalina passava pelo o meu corpo. Assim como as vinhetas do Corujão e do Supercine. Era quase uma fobia de vinhetas. Cheguei ao ponto de ver a programação semanal da Globo para saber se esses filmes iriam passar ou não. Se fossem passar, não assistia a nenhuma propaganda naquela semana.

Do Plantão da Globo eu não tinha medo. Aquilo me gerava uma expectativa até positiva. Confesso que, lá no fundo, se não fosse uma morte de alguém famoso ou um grande desastre, eu ficava decepcionado.

Me perdoe, ó Pai.

Outra coisa que me metia medo pra caralho era a porra do Fantástico. Nele, às vezes, havia um quadro sobre fatos sobrenaturais. A simples chamada dessa porra de quadro era o suficiente para abalar o meu sono por dez dias.

Na verdade, só conseguia dormir pois me escondia embaixo dos meus cobertores. Apenas o meu nariz ficava de fora. Utilizei ao meu favor essa “pequena” desproporcionalidade do meu corpo. Era tipo um snorkel. E quanto mais cobertor em cima de mim, mais eu me sentia protegido. Era tipo um redoma que impedia as coisas ruins de me tocarem, de puxarem o meu pé.

Dormi vários anos assim. Todas as noites.

Pois bem, eu cresci e o pior já passou. Porém não vou mentir, a minha relação com o escuro ainda tem certos resquícios negativos. Vez ou outra eu aperto o passo para sair logo do ambiente. Mas tá tranquilo. Demorou para eu conseguir dormir com a luz apagada sozinho em casa. Superei todos esses medos que eu tinha. Fato.

Mas agora, eu não vejo mais fantasmas. A única coisa que eu imagino são caminhantes brancos. Essa porra ficou muito séria agora.

White-Walker-Hardhome-Massacre

 

 

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About Hugo De Marco

Hugo De Marco tem 34 anos mas parecer ter 28. Além de humilde e impaciente, é servidor público de profissão, historiador por graduação e são-paulino de coração. Ama a sua noiva e seus dois filhos (um ainda no forno). Além disso, também gosta de café, semear ironias, metáforas e, claro, a discórdia. Sempre teve as suas piores notas em Redação (por volta de 9,0). Apesar disso, com o tempo começou a estabelecer uma relação de amor com a escrita, chegando até ao ridículo de se referir em 3ª pessoa. Ansioso por natureza e palhaço por opção, foi votado como o mais comunicativo da 4ª série, ocasião em que falava merda no fundo da sala no intuito se autopromover. Pegou vício pela coisa e agora está aqui.
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